terça-feira, dezembro 11, 2012

o que eu faço com você?




Você aparece e eu viro outra! Ansiosa, agitada, olhando para todos os lados. Quase arranco a orelha de tanto mexer nos brincos. E quase abro feridas na nuca de tanto arrumar a parte de trás do cabelo. 

Acontece que muitas partes do meu corpo gostariam de se apresentar a outras tantas parte do seu corpo. Por sua causa, perco o assunto e começo a responder de forma monossilábica. Pessoas param de me incluir nas rodas de papo. 

Se eu estivesse meio bêbada, arrumaria um belo pretexto para falar com você, ao invés de me colocar na reta do seu olhar ou no seu caminho até o banheiro. 

Mas auto controle é como um trabalho de faculdade que você  gasta horas escrevendo no computador e que uma queda de luz pode jogar no lixo de forma devastadora.E tem mais... passei trinta anos lapidando essa minha personalidade! Quem você pensa que é para colocá-la na corda bamba de forma tão descarada?

Um dia eu te mostro como as coisas tem que funcionar entre nós. Chego onde você está, passo pelas pessoas sem olhar pro lado, te puxo pelo cós da calça e cochicho no seu ouvido o quanto me deixa louca. 

Tão louca que me irrita. Que diabos! Tudo em você me arrepia. A começar pelos seus olhos e como desvia do meu olhar. Seu corpo deve ter gosto de kiwi... suculento e a mistura perfeita entre o doce e o azedinho. E, olhando daqui, já sinto seu cheiro. Sempre levemente másculo e sedutoramente sutil. 

Cada vez que sua imagem me vem a mente, penso em manhãs preguiçosas de domingo acordando com o rosto apoiado no seu peito. E como a minha imaginação pode me trair assim? Eu quero sexo. E ela quer romance. Haja estrutura para conservar a sanidade. 

O problema é que não vou fazer nada. Aliás, vou manter a frieza no semblante e despreocupação na voz sempre que falar com você. Já que me dá a sensação de nunca me ver como uma futura conquista... muito menos minimamente atraente. Prefiro pensar que você é um babaca!!! Mesmo sabendo que não é! 

Ahhhh! Que se dane! Vamos imaginar a possibilidade de você ser totalmente bacana. E gentil. E que vai conquistar minha mãe com um sorriso. Aliás, haja imaginação.

Vira e mexe me pego atualizando longos diálogos entre nós. E tento prever todas as suas reações. E tento lembrar quem são seus amigos e quais foram todas as vezes em que nos encontramos. E revejo nossa total falta de proximidade. E ainda assim, tudo parece atraente! 

É tudo misteriosamente sedutor. Como não querer você? Esses olhos incrivelmente honestos! E a boca convidativa. E a insuportável mania de falar 500 vezes menos do que eu. Até essa timidez velada e essa capacidade destruidora de sair pela tangente soam sedutoras. 

Sabe o que poderia acontecer se, por um milagre divino, eu tivesse a chance de ter uma noite inteira só com você? Te pouparia das preliminares - tão super valorizadas - e as dedicaria a seu prazer. Ou iria direto ao assunto e que você fizesse de mim o que bem entendesse... porque a essa altura, haja controle da libido. 

E eu não sou de me entregar aos poucos. Que a gente se pegue com tudo... ou com nada, caso eu caia da cama e acorde desse delicioso sonho erótico. 


E haja assunto interessante para trocar com os amigos enquanto você cumprimenta todo mundo e chega cada vez mais perto. Concentração vira lenda nessas horas. Tem que ter uma solução menos chocante do que um banho de água frio ou o uso de ilusões amorosas para esse problema que você vem me causando!

Tô naquele ponto de vasculhar a mente atrás de qualquer lembrança tosca que diminua o meu tesão.

O vocalista dessa banda desafinando minha música favorita. Uma piriguete pisando com o salto quinze no meu pé. Você me ajudando a sentar e elogiando meu tênis. Sua mão na minha coxa enquanto chega mais perto pra ver se meu pé tá inchado. Eu arrepiando com o calor da sua mão.

DROGA! Que descontrole! Se concentra, Tatiana. Mais uma tentativa.

Meu vestido preferido no lixo por causa de uma queimadura de ferro. Alergia à nova coleção de esmaltes. Perder um dos brincos que acabei de comprar. Alguém me sacudindo pra me acordar. Eu abrindo os olhos, com um palavrão engatilhado na ponta da língua, dando de cara com você. Minha nuca arrepiando com sua respiração no meu ouvido. Você sussurrando que sexo pela manhã cura mau humor matinal. Você se embolando no coberto que está entre nós, enquanto eu perco o ar de tanto rir da nossa afobação desastrada. 

QUE SACO! De novo eu me perdi nesses pensamentos sacanas... acho que estou passando dos limites aqui! Daqui a pouco tô gostando de você e ninguém está entendendo mais nada! Nem eu!

domingo, dezembro 02, 2012

das coisas simples



E assim disse Mário Quintana: "a vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Se a meta está alta demais, reduza-a. A felicidade é um sentimento simples, você pode deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."

Quantas pessoas você conhece que já responderam que o querem da vida é ser feliz? Eu já perdi as contas. O que realmente nunca soube é o que faz com que você, um dia, ache que alcançou essa tal felicidade.

Não sei dos outros, mas sei de mim. E o que eu quero é o simples! Não sei quem é o pensador que diz que a simplicidade é o último degrau da sabedoria. Então quero estar nesse degrau.

A simplicidade envolve tudo na vida. E entenda, eu nunca fui uma pessoa com oportunidades para pensar a longo prazo. E se temos tempo, para qualquer coisa, temos a tendência a protelar e complicar...

"Mudança" é a palavra que me define. Mudei de cidade 7 vezes. Já morei em 14 casas/apartamentos/hotéis diferentes. Ao longo dos meus 30 anos, estudei em 7 instituições de ensino. Tenho amigos e conhecidos espalhados em todos os Estados brasileiros. Conheci tanta gente nesse tempo que não lembro mais nomes, feições e, muitas vezes, de onde...

Quando essa é a sua condição, você se adapta. E aprende que não dá pra encher a casa de peças decorativas. Que do Pára a Minas se gasta 3 dias de viagem. Que os amigos são importantes, mas não indispensáveis. Que desapego não é só edificante, mas libertador. Que sentimentos não são descartáveis. Que afinidade não se perde com a falta de contato. Que se "deixa a vida te levar" deixa passar grandes oportunidades. Que se complica as coisas, não as vive, nem aproveita, nem aprende.

Você descobre a simplicidade quando percebe que não terá tempo para prolongar as coisas. Por isso, se gosto, eu demonstro. Se não gosto, deixo claro. Se tiver que jogar na cara, eu jogo. Se estou afim, eu falo. Se me bater, eu devolvo o tapa. Se me der intimidade, também a ganha. Se me decepcionar, perde a chance de voltar atrás. Se define os outros por rótulos, te acho um babaca. Se assumir o erro, vou te respeitar. Se for honesto, também ganha meu respeito. Se lembrar que eu não sou perfeita, nem um poço de sabedoria e que também piso na bola, vou te amar. Se amo, me dedico. 

E assim, fui me transformando em uma mulher fácil de agradar, alegrar e conquistar. Me emociono com demonstrações de afeto. Ganho o dia com um "boa tarde" inesperado. Acho que abraços apertados são demonstrações de amor mais honestas do que muitos beijos. Buteco, cerveja, amigos e bate papo é o meu programa preferido. Acho que perguntar como foi meu dia, mostra mais interesse do que perguntar qual meu livro favorito. Se disser que uma música faz lembrar de mim, me conquista. Se me chamar pra comer um hambúrguer no fim da noite ao invés de um jantar formal na noite de sexta, fico vendida. E se disser que gosta de mim do jeito que sou, sem mudar nem os defeitos... eu apaixono!

Tão simples quanto ter com quem passar o domingo jogado no sofá!

sexta-feira, outubro 19, 2012

menos carão, mais carinho



Em um tempo em que o culto ao corpo, à estética e às aparências toma conta das prioridades humanas, está cada dia mais difícil encontrar alguém para chamar de seu. Vivemos um tempo em que o que aparentamos importa mais do que o que somos.

Quando começamos a ser assim? Quando instituíram que uma bunda empinada dentro de um vestido curto é pré-requisito para um relacionamento de futuro? Quando paramos de prestar atenção nos comportamentos retos para nos ater a barrigas de tanquinho?

Na internet pipocam textos sobre homens galantes e românticos, mulheres charmosas e boas companheiras. Você compartilha todos eles. Você comenta "perfeito!" ou "#fato" quando um amigo divulga as palavras mágicas que definem o caminho dos romances bem sucedidos. Clarisse Lispector, Caio F. Abreu e Tati Bernardi nunca estiveram tão em voga. Tudo isso chega até você em uma onda de informações que quase te afogam. Mas a minha pergunta é: o que você leva de tudo isso? Como aplica o que essas pessoas bacanas escreveram?

Morro de tédio dessa gente que acha lindo o palavrório sobre amor, mas não o põe em prática. Que prega fidelidade, mas beija 500 meninas numa noite. Que levanta a bandeira contra a "cafajestada" masculina, mas que na dúvida entre três caras vai experimentando pra ver com quem tem mais química.

Mudam-se as palavras, mas não os comportamentos. A gente não precisa que nos ensinem como amar e ser amado. Um bom relacionamento não depende só da intensidade do sentimento que se compartilha. Depende mesmo é do respeito mútuo.

É esse respeito que define o caráter de quem você quer ao seu lado. Não adianta o cara abrir a porta do carro para você e não aceitar quando você quiser usar aquele seu decote um tanto extravagante uma vez na vida. Como lidar com uma mulher que trata sua família com o maior carinho, mas que te critica para as amigas porque você é garçom?

O que as pessoas precisam entender é que quando se escolhe alguém para dividir a vida, a opção única é o pacote completo. Você não pode apagar os seus defeitos e não tem o direito de pedir isso para o outro. Idealizar é o caminho mais curto para se envolver com pessoas que nunca serão suficientemente boas para você. Criamos expectativas e moldamos o ser cobiçado. E quando a convivência chega, trás com ela as decepções.

Por essas e por outras que o que busco pra minha vida é menos superficialidade e mais intimidade. Menos padrões pré-estabelecidos e mais personalidade. Quero menos primeiras impressões e mais oportunidades.

Quero alguém que me ame pela minha inteligência e meu rostinho bonito. Mas que também me ame pelo meu corpo acima do peso, pelo meu cabelo curtinho e estiloso, pelos meus surtos de péssimo humor matinal, pelas minhas más respostas nos momentos de raiva, pela minha tagarelice quando estou nervosa e pelo meu silêncio quando estou tímida. O respeito nasce quando se admira as qualidades de alguém, mas sobretudo quando se aceita os defeitos.

Por um mundo com menos carão e mais carinho!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Make love, not beard!



Eu resisti o quanto pude. Passei semanas pensando em outros temas. Cheguei até mesmo a escrever sobre situações inspiradoras que me aconteceram. Mas no fim das contas fui novamente alcançada e cedi. Hoje vamos falar de barba!

Sim, senhor! Mas estudei e estou embasada historicamente para falar de uma das principais armas de atração conhecidas pelas mulher... e que os homens usam involuntariamente!

Não sei se você sabe, mas o uso de pêlos faciais determinou e caracterizou culturas mundo afora. No início dos tempos, eram única e exclusivamente acessório de proteção. Estavam ali para proteger os homens primitivos das intempéries, evitar machucados na pele e manter a temperatura corporal equilibrada. Com o tempo, eles descobriram outras formas de enfrentar as mudanças climáticas e a se proteger de acidentes... e que pedra afiada ajudava a remover os tais pêlos. Nasciam aí os hábitos que conhecemos hoje como "higiene e vaidade!"

As sociedades foram se criando e usando barba, cabelo e bigode - ou a ausência de todos eles - para determinar status. No Egito, sacerdotes se depilavam, ricos cultivavam as barbas e obrigavam a plebe a retirá-la. Na Grécia se dizia que quanto maior a barba de um pensador, maior sua inteligência. Mas quando Alexandre, o Grande, chegou devastando tudo, todo mundo foi obrigado a se desapegar das fartas ramas de pêlo. Ele acreditava que poderia atrapalhar os exércitos nos confrontos corpo a corpo. E, cá entre nós, com a fama de "afeminado" que ele adquiriu ao longo dos anos, seus homens diziam que ele preferia os soldados com a aparência mais juvenil...

E como tudo no mundo passou pela Roma Antiga para alcançar a evolução, os homens conheceram os primeiros cremes de barbear por lá. Isso porque os pequeninos não podiam ter os cabelos e pêlos removidos até entrar na puberdade, quando os tiravam e ofereciam para os deuses pagãos.

Quando Roma derrubou o paganismo e adotou o cristianismo como religião oficial, o clero recomendou a ausência de barba e bigode para se diferenciar da igreja ortodoxa, bem como de judeus e muçulmanos.

Mas a barba só começou a ser vista como alvo da vaidade masculina quando o desenvolvimento comercial chegou trazendo novas perspectivas, como a navalha! De lá pra cá, a criatividade só fez bem aos amantes dos pêlos. Surgiram os primeiros barbeadores e com eles o culto pelo rosto lisinho. Manter o aspecto de "bundinha de bebê" era sinônimo de civilidade e asseio durante anos e anos e anos... até Freddie Mercury apresentar ao mundo uma contra cultura em que a pessoa poderia ser livre nas ideias e desprendida dos costumes sociais rígidos.

Homossexuais do mundo inteiro adotaram os bigodes como visual da moda e a cultura hippie adotou a barba como símbolo de liberdade. E, convenhamos, transformaram o período num caos completo, já que muita gente achou que ter cabelo grande e barba longa era um sinal de que também poderia abolir os banhos de sua vida!

Os tempos evoluíram. As sociedades se adaptaram. As pessoas ampliaram seus horizontes. E muita gente derrubou tabus. Assim, a barba (bem como o corpo inteiro) viraram o melhor instrumento de expressão do ser humano. Hoje em dia, todo uso do corpo é aceito se benéfico para si e para o outro.

Aí você me pergunta (ou não!): "e você, Tati? O que acha dos caras de barba?"

Acho charme puro. Acho másculo. Aos quase 30 anos, me atraem os homens com cara de homem e não de rapazinho. A barba passa credibilidade, segurança, certeza nas atitudes e personalidade definida. Além disso, são poucas as mulheres que resistem. Mesmo que seja um barbinha tímida, que ficou um único dia sem ser feita... já faz toda a diferença!

É por isso que adotei uma campanha mega bacana, que encoraja os homens a se sentirem livres em relação aos seus pêlos faciais e jogarem para o alto (se puderem!) seus barbeadores!!!

"Faça amor, não faça a barba!" E seja feliz como melhor lhe apetecer!





quarta-feira, agosto 22, 2012

"Eu vejo em você o que ninguém vê..."


Cara, na boa, de onde vem tanto charme? Eu fico aqui me perguntando onde ele aprendeu a ser tão galanteador... sem perceber que está sendo!!!

No dicionário, charmoso é um substantivo masculino, usado para designar o homem "cheio de charme, sedutor, fascinante, feiticeiro."

E vem daí a explicação mais lógica para a capacidade de ser tão incrivelmente encantador: é um feitiço que ele jogou em mim! Que outra explicação lhes parece mais plausível?

É lógico que isso não é ruim... aliás, muito pelo contrário. Toda essa facilidade para seduzir tem causado uma atração inevitável. Também, pudera, com toda essa simpatia, graça e beleza não podia faltar logo o charme.

Ele pode até achar que não, mas chama a atenção onde chega. Importante dizer que ele não atrai olhares só pela "boniteza", mas pela postura garbosa, pela gentileza dos gestos e pela fascinante voz grave.

E não há beleza maior nesse mundo do que perceber o magnetismo dos detalhes quando o assunto é atração. E nesse campo, só com muito charme é que se ganha terreno.


Pensa comigo: você chega no lugar e faz o reconhecimento de sempre. Depois de um tempo, seu imã pode até girar para o lado daquele moreno alto, musculoso e de queixo bem marcado. Seu radar para bons partidos pode apitar quando o loirinho com carinha de moleque sem vergonha pede desculpas por pisar no seu pé. Há, inclusive, a possibilidade do cara tímido, de grandes olhos azuis, parado ao lado do palco, te causar arrepios. Mas é o rapaz de sorriso sedutor, que fuma soltando a fumaça meio de lado e que te olha como se soubesse segredos que nem você sabe que vai atrair seus olhares a noite inteira.

Como eu disse, inevitável. Você sabe, desde o começo, que aquele ali tem bossa. A aparência física fica em segundo plano. É o jeito dele que te causa deslumbramento. Aquelas características marcantes que não saem da sua cabeça.

É esse cara, o charmoso, que tem o talento involuntário de te fazer vê-lo em diversas outras situações. Você o identifica no meio da multidão de um show pelo perfume. Você o reconhece, dentro de um carro com vidro fumê, estacionado em frente ao banco. Você sabe que é ele descendo as escadas do cinema escuro, porque jamais esquecerá aquele andar gingado. Você nunca confundiria o perfil desenhado do rosto desse cara, mesmo o vendo de longe e sem os óculos.

Eu não sei vocês, mas no meu reino dou o trono ao lado para o cara charmoso. Tipo: "vem cá, senta aí, com todo esse glamour interno represado, você tem que ser rei por aqui!" É, ou não é?

terça-feira, julho 17, 2012

platônico que te quero amar


Cazuza dizia que "quem não sabe amar vive esperando alguém que caiba nos seus sonhos." E eu te pergunto: e quem sabe amar? Tenta caber no sonho de alguém?

Ora, estamos todos atrás de companhia, seja sonhada ou sonhadora. Há que se valorizar a "platonicidade" da coisa. O idealizar é quase sempre norteador. Já basta a boa dose de realidade a que estamos expostos diariamente. Ao menos no amor sejamos platônicos.

É claro que ninguém pode passar a vida inteira projetando no outro o que gostaria que ele fizesse/fosse/se tornasse.

No dicionário, "platônico" tem como sinônimos "casto", "idealista", "ingênuo" e "romântico". Como isso pode ser de todo ruim?

E pensando bem todo amor começa casto. Imagina-se a forma de olhar, o gosto do beijo, o cheiro da pele, o toque dos cabelos. Há uma certa ingenuidade sempre que se sonha como o cara será como namorado... e uma dose incrivelmente grande de romantismo quando se vê essa oportunidade cada vez mais perto!

Acho que o amor platônico tem algo de poético. Pressupõe timidez. É um querer, um divertir-se junto, uma identificação, uma vontade velada e uma distância inacreditável. O platônico remete à falta de coragem, mesmo tendo o desejo de estar perto.

Quem vivencia isso na vida aprender a dor e a delícia de amar, mas não se declarar. No fundo, todo romance começa assim.

A grande dúvida aqui é: como transpassar a barreira de insegurança que o platônico cria?

Eu, trabalho minha capacidade de dar indiretas escrevendo crônicas de amor num blog! E você?

terça-feira, junho 12, 2012

Eu poderia...


Eu poderia chegar aqui e escrever sobre todas as minhas desilusões amorosas. E contar como tem é difícil superar traumas deixados por relacionamentos passados.

Eu poderia explicar como a mágoa me transformou em uma pessoa menos iludida e mais cética, mesmo depois de não ser mais uma mulher magoada.

Eu poderia afirmar que já tive ótimos parceiros de cama, que com a maioria eu já senti prazer e que tive as melhores transas da minha vida com muitos deles.

Eu poderia dizer também que sei que posso ter prazer e, ao mesmo tempo, ser livre. E que estou afim de curtir outras melhores transas da minha vida antes de escolher aquela que quero pelo resto dela.

Eu poderia contar que tem alguém por quem eu mudaria minha vida e até algumas certezas. E que sou louca por esse cara desde a primeira vez que o vi. Que achei ele interessante e bonito. Que tive a oportunidade de me envolver superficialmente com ele e que foi ótimo.

Eu poderia falar que o beijo dele é incrível, que a voz é sedutora, que até o jeito dele fumar me deixa arrepiada. Que amo o fato dele botar a maior fé em mim. E que, mesmo tudo sendo passageiro e deixando uma lembrança boa, ainda quero mais que isso.

Eu poderia reclamar horas do inferno de um avô te pressionando para se casar e arrumar um filho - só porque você é uma das netas mais velhas.

Eu poderia lembrar que não sou ciumenta, nem apegada. Deixar claro que que sei separar as coisas. E que não espero mais ser correspondida nas minhas expectativas.

Eu poderia esperar o tempo passar e provar que há certezas que nunca mudam, mesmo que você se encaixem em uma exceção e tente ver por outro ângulo. E ficar repetindo que a idade faz diferença, que vivência é ponto de partida para qualquer coisa  e que, felizmente, experiência de vida está diretamente relacionada a como você passou pelos desafios que te foram impostos.

Eu poderia te iludir dizendo que sou uma pessoa legal. Que não corrijo terceiros mentalmente. Que não torço para uma pessoa se "fuder" quando me faz mal. Que desculpo quem erra comigo e esqueço o erro.

Eu poderia descrever durante horas a dor e a delícia de amar a profissão que escolhi pra mim. E te impressionar dizendo que estou conformada em saber que vou trabalhar muito pelo resto da vida pra ter uma situação confortável, mas nunca folgada. E te passar a segurança de que isso sempre vai me fazer uma pessoa realizada.

Eu poderia falar que estou satisfeita com quem enxergo no espelho. Que estou feliz com as amizades que tenho. Que prefiro, mesmo, os poucos e bons. Que não sou exemplo pra ninguém. Que não me encaixou em padrões pré-estabelecidos e que isso não me incomoda. E que ser uma mulher com muita personalidade afasta os homens.

Eu poderia também chocar afirmando que apesar de sonhar em casar com um cara companheiro e constituir uma família com filhos lindos, sempre tive medo de ver as pessoas simplesmente partirem da minha vida.

Eu poderia confessar que meu maior medo é terminar a vida velhinha e sozinha.

Mas tenho medo de você achar tudo isso muito maluco e muito estranho! Por isso, o que posso mesmo te dizer é que tento ser honesta comigo e com os outros. Porque enganar alguém e se enganar é muito ruim... É mais fácil, mas não estou acostumada com conquistas sem luta!

segunda-feira, junho 11, 2012

Entrevista: Altamir Barros


Altamir José de Barros tem 55 anos. É Engenheiro Civil e Urbanista. Trabalha na prefeitura de Itabira e presta consultoria na área de aprovação de projetos de construção civil. Há dois anos, Altamir trabalhava no Crea de Minas Gerais e compunha a equipe que articulava a implantação dos Planos Diretores nas cidades mineiras. Durante quatro anos, ele viajou para dar cursos sobre o Estatuto da Cidade, Lei Federal 10.257, do dia 10 de julho de 2001, que regulamenta o capítulo “Política urbana” da constituição brasileira. O Estatuto da cidade tem como instrumento básico o Plano Diretor, que oferece parâmetros e diretrizes aos administradores municipais para que possam “pensar a cidade, planejar seu desenvolvimento e responder aos anseios da comunidade em relação ao espaço onde vivem”, afirma o entrevistado. Altamir Barros atuou representando o Ministério da Cidade como especialista em urbanismo. Além de exercer a atividade na Engenharia, ele já lançou um livro chamado “No tempo do mato dentro”, com fotografias da cidade de Itabira no fim do século XIX e início do XX.

O que é o Estatuto da cidade?
Altamir: É uma lei Federal específica que habilita os municípios com mais de 20 mil habitantes a fazerem o controle do desenvolvimento urbano, o controle do território de maneira participativa, que conta com sugestões da população. São feitos vários encontros públicos, com as entidades e com o povo, para que as pessoas possam manifestar seus desejos, dizer como acham que a sua cidade deve ser, qual é o seu interesse. Além das cidades com mais de 20 mil habitantes, as cidades metropolitanas, com interesse turístico e as que recebem serviços causadores de impacto ambiental, como as que têm mineração ou barragem, também são obrigadas a executar o Plano. Em Minas Gerais, temos duas regiões metropolitanas: a de Belo Horizonte que tem 33 cidades e a de Ipatinga. Penso que todas as cidades deveriam fazer o Plano Diretor, para saber o seu caminho. Junto ao Plano, agregam-se várias outras questões, como a mobilidade urbana e regularização fundiária.

Por que o Plano Diretor foi criado?
Altamir: O Plano Diretor está dentro da lei 10.257, regulamentada em 2001. Houve então um prazo para as cidades fazerem o plano, com a fundação do Ministério da Cidade, no Governo Lula, cujo intuito era retomar as questões da cidade. Isso foi importante porque o Brasil tem uma formação de cidade um pouco diferente, como as européias, que se formaram ao longo de 500 a 1.000 anos. Até os anos 1970, o Brasil era predominantemente um país rural e no fim dos anos 90 a situação se inverteu. Portanto, foi uma transição muito rápida. A cidade foi enchendo e criou-se o que chamamos de “formalidades”.  As cidades iam se desenvolvendo e pessoas iam morar em encostas, sofriam com enchentes, era uma invasão formal. O único jeito que elas tinham de viver nos centros urbanos. Essas coisas (o fato de se pensar a urbanização) se incorporam devagar nos sujeitos, elas não acontecem imediatamente. Veja o exemplo das ciclovias, que começam a ser feitas em Belo Horizonte. Isso é uma maneira de se pensar a cidade, pelo fator mobilidade. Existe a perspectiva do sujeito que vive da usura da cidade, em que aproveita todas as situações mobiliárias somente para ganhar dinheiro, usando inclusive o setor público. Existe muito disso ainda, mas a mentalidade vai mudando isso aos poucos.

Faz parte do Estatuto da cidade o combate a este tipo de ação?
Altamir: Não é um combate. Vai dando uma consciência da cidade. As pessoas vão conscientizando e com isso começa a se ter leis que protejam a cidadania e a parte urbana. A lei vai sendo colocada aos poucos. Porque foi uma retomada grande dessa preocupação no governo Lula, e foi importantíssimo. Nós estávamos com as cidades entregues às traças, mal formadas e mal formuladas. Veio a regularização fundiária que facilita a documentação dessas pessoas que moram em terrenos a muito tempo e a retirada de áreas de risco. Há, por exemplo, áreas de mananciais ocupadas, que são áreas ricas para a cidade. O processo é dinâmico, o governo começou então a incentivar obras, como de saneamento, algumas através do PAC. Com o Estatuto da cidade e o Plano Diretor, fica mais fácil executar essas obras, porque a cidade sabe o que ela quer.

Como é a elaboração dos Planos Diretores?
Altamir: São feitas audiências públicas nas Câmaras de Vereadores das cidades para se discutir os objetivos dos planos. Os projetos são inicialmente feitos em reuniões nos bairros – cada cidade cria seu método. Tem cidade que criou um espaço para que as pessoas se reúnam e dêem seus palpites. Em Araçuaí é assim, existe uma salinha onde as pessoas falam suas opiniões. Muitas cidades tomaram a atitude e elaboram seu Plano Diretor de modo participativo, porque esta é a base.

A elaboração dos planos tem necessariamente contar com a participação da comunidade?
Altamir: Para ser um Plano Diretor real, sim. Tem uma frase antiga, do século XIX que diz o seguinte: a cidade de pedra e cal representa o que a população pensa. Então é mais ou menos isso: bem ou mal, a cidade é o que a população acha que ela é. Então o que será feito é organizar, planejar este tipo de ação.  Portanto o Estatuto da Cidade criou muitos instrumentos, alguns obrigatórios, de definição da expansão, preservação de mananciais, estudo de retirada de aglomeração urbana. Faz-se um estudo da área, por exemplo, para regularização fundiária. Você não tira as pessoas do lugar em que vivem há muitos anos. No aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, houve um trabalho que seguiu os princípios do Estatuto da Cidade.  Abriram uma avenida, a Mendes Sá, criaram rua e endereço para todos. Assim as pessoas se sentem cidadãos, podem comprar e receber pelos Correios. As pessoas desapropriadas pela obra se mudaram para bem perto, porque se você manda a pessoa para outro lugar, ela fica sem referências. A pessoa mora naquele lugar porque, possivelmente, ela tem parentes próximos. Então ela sai para trabalhar e deixa o filho com a sogra, que é vizinha. Ela confia em quem vive próximo e as pessoas necessitam dessa convivência.

Quais outros instrumentos são oferecidos pelo Estatuto da Cidade?
Altamir: Há alguns instrumentos que foram copiados dos Estados Unidos e da França. O coeficiente de construção é um instrumento. Você tem um limite de tamanho de construção, que depende do tamanho do terreno e quantas vezes este tamanho pode ser utilizado para subir um prédio. A ”transferência do direito de construir” oferece a possibilidade da venda de uma metragem virtual do tamanho da benfeitoria. Em um terreno de 500 metros, se o coeficiente é “dois”, a pessoa pode construir mil metros. Este é um modelo de Chicago, nos Estados Unidos. Se não usar essa metragem, ela pode “vender” o que restou. Há também a “outorga onerosa de construção”. Quando faz um prédio, você vai sobrecarregar sistema de esgoto, o sistema de abastecimento de água, tudo naquele local. Seu prédio será de seis andares e você pode comprar áreas virtuais, na prefeitura, para fazer mais dois andares. Este dinheiro deve ser revestido em calçamento de rua, saneamento etc. É claro que alguns prefeitos são despreparados para esta política, mas a cidade vai se preparando, e vai mudando. A França só tem dois coeficientes: “meio” no interior e “um” na Capital Paris. O país é organizado, não se constrói mais nada, não se passa de seis pavimentos no centro de Paris. Foi um modo de impedir a compra pelas grandes corporações. A prefeitura de Paris comprou vários imóveis para ajudar a manter o tipo de comércio na cidade.

Qual é a relação do Crea com o Plano Diretor?
Altamir: trabalhei no setor do Plano Diretor. Quando fizeram a lei, cada Estado adotou um sistema para poder executar os planos nos Municípios. Em Minas Gerais foi criada uma secretaria executiva, que faz parte do Crea, com sua equipe e estrutura. Outras entidades participaram da formatação do nosso trabalho. O Observatório da cidade, a Caixa Econômica Federal, grupo de ocupação, Fundação João Pinheiro, entre outras. As cidades criavam suas comissões e nós articulávamos. Havia muita dificuldade. Foi feito um trabalho com distribuição de cartilhas e nós dávamos cursos nas cidades como forma de apoio ao trabalho das comissões formadas. Não éramos muitos. Fui a várias cidades dar esse curso. Minas Gerais tem 186 cidades com mais de 20 mil habitantes. Não posso falar objetivamente como vem funcionando a execução dos planos. Tenho sensações. Pela primeira vez se pensou na cidade. É importante ressaltar a tomada de consciência que houve, e foi de maneira ampla.