segunda-feira, janeiro 17, 2011

Monotonia. Falta do que fazer.. Tédio. Os segundos passam devagar. O ponteiro parece que faz um esforço danado para se mexer. Lento e vagaro como lesma, dá preguiça só de ver. Jurandir já não aguentava mais. Precisava de diversão. Alguma coisa que o tirasse daquele lugar comum. Alguma coisa que quebrasse sua rotina como bola de futebol arremessada na janela da sala de estar. Levantou-se da cadeira de balanço e, decidido, deu o primeiro passo. Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a imaginação. Montou a sela no jumento e partiu em direção ao centro da cidade:
- biblioteca! aí vou eu! 
  

sou dessas!


Sou dessas pessoas que gostam de listar coisas. Agora por exemplo, para explica porque sou feita de coisas simples e doces, gentilezas e sutilezas, eu fiz uma lista!

- gosto de leite com toddy.
- acho o sabor do kiwi irresistível.
- balões coloridos colocam um sorriso no meu rosto.
- o mar me hipnotiza.
- gosto de andar descalça.
- cafuné me faz adormecer.
- abraços me comovem, beijos me apaixonam, olhares me conquistam.
- crianças me fazem rir.
- tristeza alheia me faz chorar.
- vitrines de livrarias me fazem parar para olhar.
- maria gadú me traduziu sem me conhecer.
- sou sensível aos toques sutis.
- palhaços me dão um pouco de medo.
- também tenho medo de insetos.
- amo a chuva, mas raios me apavoram.
- acho que escrevo bem...

E VOCÊ, O QUE ACHA?

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Pequenos reflexos


Um reflexo. Seja na beira de um rio ou na vidraça de uma velha cabana. Quem sabe no espelho do quarto ou na tela do computador enquanto dispara palavras em um documento em branco. A imagem repetindo seus movimentos como em uma cópia fiel sempre o impressionaram. O que via ali era quase uma fixação.

Concentrar em algo sempre foi uma tarefa árdua, nos tempos românticos diriam que vivia uma batalha inglória, ainda que necessária. Foi só através da sua imagem refletida que o exercício de reflexão tornou-se fácil, um êxtase de ideias ou uma avalanche criativa.

Aos poucos passou a guardar pequenos espelhos nos seus armários, além de carregá-los nos bolsos, na mochila e até mesmo no carro. Não conseguia desenvolver nada sem o vítreo reflexo que o encantava. Alguns passaram a vê-lo como um maluco: não era uma pessoa egoísta, mas sua vaidade atingia limites preocupantes.

Aconselhado foi buscar ajuda com alguns especialistas. Nas várias opiniões que escutou nunca foi censurado, afinal não deixava de cumprir o protocolo social a que todos somos designados, embora, para ele, existisse a necessidade dos já conhecidos pequenos espelhos.

Assim seguia sua vida sem maiores problemas ou grandes mudanças. Até que um dia passou a ter uma preocupação real com a sua sanidade: já não conseguia entrar no Google sem procurar, antes de tudo, pelo seu próprio nome. Ali assinava o seu atestado clínico.

domingo, janeiro 09, 2011

o casamento

Quando Sr. e Sra Rosca Porca foram convidados para a união matrimonial da nobre, escatológica, flatulenta e centenária Dona Vaca, ficaram mais estarrecidos e assustados que pato em dia de ação de graças:
- É falta de vergonha, isso sim! Uma senhora daquela idade querendo se casar.. era só o que me faltava..
- Calma minha porquinha, na verdade ela não quer se casar..
- Não?
- Não, ela TEM que casar.
- ?
...
- Ela está grávida??!! Deus meu! Quem é o pai?
- Visconde de Sabugosa
- Nunca vi mais gordo
- Como eu explico..  Ela andava siriricando no milharal.. deu no que deu
to be continued...

terça-feira, janeiro 04, 2011

Reflexões sobre um verão

Era uma noite calma, típica de qualquer cidade interiorana. Não se ouvia os sons de carros ou buzinas apenas um grilo ao fundo. Pela janela não existiam prédios e suas marquises, tampouco mendigos ou trombadinhas. A única exceção dessa lista seriam os bêbados, esses existem em qualquer lugar: desde uma metrópole até a mais remota aldeia.

É incrível o poder que um cigarro possui nas noites mais solitárias, não somente pelo companheirismo, mas também por ser um grande instrumento de organização de ideias. Um trago vira uma vírgula, uma baforada um ponto final. Nunca dispensei um cigarro nos momentos de reflexão, muito menos uma fotografia. Sempre empreguei muita atenção às lembranças, arrependimentos me perseguem, bons momentos ficam cada vez mais distantes e os sorrisos cerrados em algum lugar num álbum fotográfico.

Naquele verão poucas coisas conseguiam aquietar meus sentimentos: apenas uma caneta, papel e um monte de palavras soltas, jogadas sem cerimônia em uma pilha de rascunhos. Na verdade não conseguia me concentrar em quase nada, apenas na foto daquela bela mulher. Os cabelos negros se transformavam em desejo, os olhos em obsessão e o sorriso em sonhos.

Naquela noite de 1.957 começava a entender o destino que era reservado aos sonhadores: perder sem nunca ter possuído, escrever sem nunca ter sentido e aos poucos confundir lembranças com a imaginação.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

pensando bem...


Me dá um cigarro que vou desabafar.

Passei anos da minha vida tentando entender porque não sou como as pessoas gostariam que eu fosse. Também passei anos tentando ser... em vão!

Lutei contra o que pensava, aumentei histórias para parecer mais divertida, inventei amigos, ignorei comentários.

Lutei contra o espelho, contra a balança, contra os princípios, contra meus pais, contra minha forma de ver a vida. Em vão!

Aí, amadureci! Consegui o primeiro emprego, fui pra faculdade, me formei com louvor, fui morar sozinha, voltei pra casa, fiquei desempregada, fiz terapia, consegui emprego de novo, namorei, terminei, voltei, terminei de novo... sobrevivi.

Cheguei até aqui passando por todas as fases que uma pessoa pode passar na transição de adolescente pra jovem, de jovem pra adulto.

Atravessei todo o turbilhão de pensamentos e sentimentos que uma menina transpõe quando vira mulher. Sobrevivi.

Pensando bem, passei uma vida inteira (curta ainda, mas inteira) tentando virar uma pessoa que não poderia ser eu. Nem se minha vida fosse uma ficção a lá Tolkien! A Senhora dos Anéis aqui, não teria Frodos ou Légolas ou Aragons para deixar as coisas mais interessantes.

Vivi aventuras bem menos fantasiosas, mas igualmente interessantes. Conheci pessoas espetaculares. Vi lugares indescritíveis. Ri e chorei ao mesmo tempo.

Levo uma existência simples, mas tenho uma profissão que amo. Uma família sem igual. Amigos incríveis. E fé. E força. E coragem.

Pensando bem, o que a maturidade me trouxe de melhor foi a capacidade de olhar pra mim mesma e ter a certeza de que fui (e continuo sendo) o melhor que posso ser. Sem me basear nas expectativas dos outros, só nas minhas...

Meu cigarro acabou! Vou ali pegar outro... volto já!

sábado, novembro 20, 2010

o princípio da incerteza



Disse que não. Insistiu. Por favor? Não. Sinto muito. A bem da verdade, não sentia nada. Absolutamente nada. Resoluto, apagou o cigarro no cinzeiro da mesma forma que a beijara da última vez: amassando a guimba para apagar a chama que agonizava em seus últimos fachos de luz vermelho-alaranjados. O fogo não dura pra sempre. O brilho das estrelas tem seu fim. A energia que alimenta o sol se esgotará e todo aquele calor tornar-se-á carbono frio. Você não vale nada! Imprestável! O que mais o preocupava não era a dúvida em relação a ela. Em relação a ela não havia dúvida. Estava na sua frente e ele nem se dava conta. Escutava o zumbido de um inseto mas não ouvia sua voz. Disse alguma coisa? Nada. Você não vale na... Absorvido em devaneios vãos, preocupava-se mais com  temas filosoficamente mais profundos. A metafísica, os dilemas da física quântica, a existência humana, a morte, o sentido da vida, aonde passar o reveillon? Introspectivo, refletia. Já imaginou como é louco viver? Como é louco flutuar no espaço andando sobre uma bola? Uma espaçonave azul? Vivemos em um peão rodopiante que descreve uma circunferência em torno de um centro flamejante e gira em torno de um eixo próprio em trajetórias cujas relações matemáticas sustentam as leis gravitacionais e a relatividade geral, construindo, numerica e simultaneamente, o gráfico quadridimensinal do universo. O tecido espaço-temporal! Há físicos que dizem que o universo tem 11 dimensões. Onze dimensões!? Dá pra acreditar? Galileu ficaria espantado! Já Newton, louco e totalmente insano, vislumbraria o universo como meu deus, você me bateu? hauhau Calma, que foi? Disse alguma coisa errada? Em que estou pensando? Em nada. Nem me lembro mais. Só pedi um tempo. Um tempo para pensar. Nada mais. Achei que houvesse compreendido. Lembre-se de que o tempo é relativo. Por que me olha assim com essa cara? Parece que chupou limão azedo. De súbito, ela se levanta e sai, apressada, deixando a cadeira vazia. Volta. Apanha a bolsa. Sai. Ele? Acena para o garçon e pede a conta. Estranho no tempo, perdido no espaço, completamente só... no universo.

Ilustração: http://sqcoisa.files.wordpress.com/2010/07/boemia01.jpg

sexta-feira, outubro 01, 2010

Deus salve a sexta-feira



Assunto recorrente: a pessoa passa a semana inteira reclamando da segunda-feira... que não tem humor, que não tem vontade, que não consegue acordar, que não consegue trabalhar... uma lenga-lenga sem fim!

Não vou ser demagoga e dizer que amo a segunda... é mentira! Eu odeio! Segundas-feiras me deprimem. Mas prefiro me concentrar no amor que sinto pela sexta-feira! O dia da semana mais iluminado de todos! Até eu me impressiono com a mudança repentina do meu humor. Nada me irrita... nem entristece... nem cansa... nem desanima... É o dia em que ponho meus pés de saltos altos pra cima, acendo um cigarro e tomo uma caixa de cerveja! Feliz da vida!

Mas há uma filosofia sistemática nisso! Veja bem, minha filosofia sistemática! Você passa uma semana de merda. O chefe pega no pé todos os dias. Tem que refazer o serviço. Briga com o pai, ou a mãe, ou o namorado (a), ou quem quer que seja. Seu salto preferido quebra. O salário não cai na conta. A empregada não vai. O chuveiro queima. O celular some... enfim, o que tem de ruim pra acontecer, acontece! Aí, você acorda no último dia da semana e pensa: "Acabou o inferno! Vou viver pra comer, dormir, fumar e me embebedar!" A alegria é imediata! Felicidade instantânea! Realização sem medidas!

A verdade é que eu vivo pra ver chegar a sexta-feira! E é por isso que te desejo uma sexta-feira regada a muito álcool! Que venha a cerveja... e que Deus salve a sexta-feira!