terça-feira, junho 12, 2012

Eu poderia...


Eu poderia chegar aqui e escrever sobre todas as minhas desilusões amorosas. E contar como tem é difícil superar traumas deixados por relacionamentos passados.

Eu poderia explicar como a mágoa me transformou em uma pessoa menos iludida e mais cética, mesmo depois de não ser mais uma mulher magoada.

Eu poderia afirmar que já tive ótimos parceiros de cama, que com a maioria eu já senti prazer e que tive as melhores transas da minha vida com muitos deles.

Eu poderia dizer também que sei que posso ter prazer e, ao mesmo tempo, ser livre. E que estou afim de curtir outras melhores transas da minha vida antes de escolher aquela que quero pelo resto dela.

Eu poderia contar que tem alguém por quem eu mudaria minha vida e até algumas certezas. E que sou louca por esse cara desde a primeira vez que o vi. Que achei ele interessante e bonito. Que tive a oportunidade de me envolver superficialmente com ele e que foi ótimo.

Eu poderia falar que o beijo dele é incrível, que a voz é sedutora, que até o jeito dele fumar me deixa arrepiada. Que amo o fato dele botar a maior fé em mim. E que, mesmo tudo sendo passageiro e deixando uma lembrança boa, ainda quero mais que isso.

Eu poderia reclamar horas do inferno de um avô te pressionando para se casar e arrumar um filho - só porque você é uma das netas mais velhas.

Eu poderia lembrar que não sou ciumenta, nem apegada. Deixar claro que que sei separar as coisas. E que não espero mais ser correspondida nas minhas expectativas.

Eu poderia esperar o tempo passar e provar que há certezas que nunca mudam, mesmo que você se encaixem em uma exceção e tente ver por outro ângulo. E ficar repetindo que a idade faz diferença, que vivência é ponto de partida para qualquer coisa  e que, felizmente, experiência de vida está diretamente relacionada a como você passou pelos desafios que te foram impostos.

Eu poderia te iludir dizendo que sou uma pessoa legal. Que não corrijo terceiros mentalmente. Que não torço para uma pessoa se "fuder" quando me faz mal. Que desculpo quem erra comigo e esqueço o erro.

Eu poderia descrever durante horas a dor e a delícia de amar a profissão que escolhi pra mim. E te impressionar dizendo que estou conformada em saber que vou trabalhar muito pelo resto da vida pra ter uma situação confortável, mas nunca folgada. E te passar a segurança de que isso sempre vai me fazer uma pessoa realizada.

Eu poderia falar que estou satisfeita com quem enxergo no espelho. Que estou feliz com as amizades que tenho. Que prefiro, mesmo, os poucos e bons. Que não sou exemplo pra ninguém. Que não me encaixou em padrões pré-estabelecidos e que isso não me incomoda. E que ser uma mulher com muita personalidade afasta os homens.

Eu poderia também chocar afirmando que apesar de sonhar em casar com um cara companheiro e constituir uma família com filhos lindos, sempre tive medo de ver as pessoas simplesmente partirem da minha vida.

Eu poderia confessar que meu maior medo é terminar a vida velhinha e sozinha.

Mas tenho medo de você achar tudo isso muito maluco e muito estranho! Por isso, o que posso mesmo te dizer é que tento ser honesta comigo e com os outros. Porque enganar alguém e se enganar é muito ruim... É mais fácil, mas não estou acostumada com conquistas sem luta!

segunda-feira, junho 11, 2012

Entrevista: Altamir Barros


Altamir José de Barros tem 55 anos. É Engenheiro Civil e Urbanista. Trabalha na prefeitura de Itabira e presta consultoria na área de aprovação de projetos de construção civil. Há dois anos, Altamir trabalhava no Crea de Minas Gerais e compunha a equipe que articulava a implantação dos Planos Diretores nas cidades mineiras. Durante quatro anos, ele viajou para dar cursos sobre o Estatuto da Cidade, Lei Federal 10.257, do dia 10 de julho de 2001, que regulamenta o capítulo “Política urbana” da constituição brasileira. O Estatuto da cidade tem como instrumento básico o Plano Diretor, que oferece parâmetros e diretrizes aos administradores municipais para que possam “pensar a cidade, planejar seu desenvolvimento e responder aos anseios da comunidade em relação ao espaço onde vivem”, afirma o entrevistado. Altamir Barros atuou representando o Ministério da Cidade como especialista em urbanismo. Além de exercer a atividade na Engenharia, ele já lançou um livro chamado “No tempo do mato dentro”, com fotografias da cidade de Itabira no fim do século XIX e início do XX.

O que é o Estatuto da cidade?
Altamir: É uma lei Federal específica que habilita os municípios com mais de 20 mil habitantes a fazerem o controle do desenvolvimento urbano, o controle do território de maneira participativa, que conta com sugestões da população. São feitos vários encontros públicos, com as entidades e com o povo, para que as pessoas possam manifestar seus desejos, dizer como acham que a sua cidade deve ser, qual é o seu interesse. Além das cidades com mais de 20 mil habitantes, as cidades metropolitanas, com interesse turístico e as que recebem serviços causadores de impacto ambiental, como as que têm mineração ou barragem, também são obrigadas a executar o Plano. Em Minas Gerais, temos duas regiões metropolitanas: a de Belo Horizonte que tem 33 cidades e a de Ipatinga. Penso que todas as cidades deveriam fazer o Plano Diretor, para saber o seu caminho. Junto ao Plano, agregam-se várias outras questões, como a mobilidade urbana e regularização fundiária.

Por que o Plano Diretor foi criado?
Altamir: O Plano Diretor está dentro da lei 10.257, regulamentada em 2001. Houve então um prazo para as cidades fazerem o plano, com a fundação do Ministério da Cidade, no Governo Lula, cujo intuito era retomar as questões da cidade. Isso foi importante porque o Brasil tem uma formação de cidade um pouco diferente, como as européias, que se formaram ao longo de 500 a 1.000 anos. Até os anos 1970, o Brasil era predominantemente um país rural e no fim dos anos 90 a situação se inverteu. Portanto, foi uma transição muito rápida. A cidade foi enchendo e criou-se o que chamamos de “formalidades”.  As cidades iam se desenvolvendo e pessoas iam morar em encostas, sofriam com enchentes, era uma invasão formal. O único jeito que elas tinham de viver nos centros urbanos. Essas coisas (o fato de se pensar a urbanização) se incorporam devagar nos sujeitos, elas não acontecem imediatamente. Veja o exemplo das ciclovias, que começam a ser feitas em Belo Horizonte. Isso é uma maneira de se pensar a cidade, pelo fator mobilidade. Existe a perspectiva do sujeito que vive da usura da cidade, em que aproveita todas as situações mobiliárias somente para ganhar dinheiro, usando inclusive o setor público. Existe muito disso ainda, mas a mentalidade vai mudando isso aos poucos.

Faz parte do Estatuto da cidade o combate a este tipo de ação?
Altamir: Não é um combate. Vai dando uma consciência da cidade. As pessoas vão conscientizando e com isso começa a se ter leis que protejam a cidadania e a parte urbana. A lei vai sendo colocada aos poucos. Porque foi uma retomada grande dessa preocupação no governo Lula, e foi importantíssimo. Nós estávamos com as cidades entregues às traças, mal formadas e mal formuladas. Veio a regularização fundiária que facilita a documentação dessas pessoas que moram em terrenos a muito tempo e a retirada de áreas de risco. Há, por exemplo, áreas de mananciais ocupadas, que são áreas ricas para a cidade. O processo é dinâmico, o governo começou então a incentivar obras, como de saneamento, algumas através do PAC. Com o Estatuto da cidade e o Plano Diretor, fica mais fácil executar essas obras, porque a cidade sabe o que ela quer.

Como é a elaboração dos Planos Diretores?
Altamir: São feitas audiências públicas nas Câmaras de Vereadores das cidades para se discutir os objetivos dos planos. Os projetos são inicialmente feitos em reuniões nos bairros – cada cidade cria seu método. Tem cidade que criou um espaço para que as pessoas se reúnam e dêem seus palpites. Em Araçuaí é assim, existe uma salinha onde as pessoas falam suas opiniões. Muitas cidades tomaram a atitude e elaboram seu Plano Diretor de modo participativo, porque esta é a base.

A elaboração dos planos tem necessariamente contar com a participação da comunidade?
Altamir: Para ser um Plano Diretor real, sim. Tem uma frase antiga, do século XIX que diz o seguinte: a cidade de pedra e cal representa o que a população pensa. Então é mais ou menos isso: bem ou mal, a cidade é o que a população acha que ela é. Então o que será feito é organizar, planejar este tipo de ação.  Portanto o Estatuto da Cidade criou muitos instrumentos, alguns obrigatórios, de definição da expansão, preservação de mananciais, estudo de retirada de aglomeração urbana. Faz-se um estudo da área, por exemplo, para regularização fundiária. Você não tira as pessoas do lugar em que vivem há muitos anos. No aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, houve um trabalho que seguiu os princípios do Estatuto da Cidade.  Abriram uma avenida, a Mendes Sá, criaram rua e endereço para todos. Assim as pessoas se sentem cidadãos, podem comprar e receber pelos Correios. As pessoas desapropriadas pela obra se mudaram para bem perto, porque se você manda a pessoa para outro lugar, ela fica sem referências. A pessoa mora naquele lugar porque, possivelmente, ela tem parentes próximos. Então ela sai para trabalhar e deixa o filho com a sogra, que é vizinha. Ela confia em quem vive próximo e as pessoas necessitam dessa convivência.

Quais outros instrumentos são oferecidos pelo Estatuto da Cidade?
Altamir: Há alguns instrumentos que foram copiados dos Estados Unidos e da França. O coeficiente de construção é um instrumento. Você tem um limite de tamanho de construção, que depende do tamanho do terreno e quantas vezes este tamanho pode ser utilizado para subir um prédio. A ”transferência do direito de construir” oferece a possibilidade da venda de uma metragem virtual do tamanho da benfeitoria. Em um terreno de 500 metros, se o coeficiente é “dois”, a pessoa pode construir mil metros. Este é um modelo de Chicago, nos Estados Unidos. Se não usar essa metragem, ela pode “vender” o que restou. Há também a “outorga onerosa de construção”. Quando faz um prédio, você vai sobrecarregar sistema de esgoto, o sistema de abastecimento de água, tudo naquele local. Seu prédio será de seis andares e você pode comprar áreas virtuais, na prefeitura, para fazer mais dois andares. Este dinheiro deve ser revestido em calçamento de rua, saneamento etc. É claro que alguns prefeitos são despreparados para esta política, mas a cidade vai se preparando, e vai mudando. A França só tem dois coeficientes: “meio” no interior e “um” na Capital Paris. O país é organizado, não se constrói mais nada, não se passa de seis pavimentos no centro de Paris. Foi um modo de impedir a compra pelas grandes corporações. A prefeitura de Paris comprou vários imóveis para ajudar a manter o tipo de comércio na cidade.

Qual é a relação do Crea com o Plano Diretor?
Altamir: trabalhei no setor do Plano Diretor. Quando fizeram a lei, cada Estado adotou um sistema para poder executar os planos nos Municípios. Em Minas Gerais foi criada uma secretaria executiva, que faz parte do Crea, com sua equipe e estrutura. Outras entidades participaram da formatação do nosso trabalho. O Observatório da cidade, a Caixa Econômica Federal, grupo de ocupação, Fundação João Pinheiro, entre outras. As cidades criavam suas comissões e nós articulávamos. Havia muita dificuldade. Foi feito um trabalho com distribuição de cartilhas e nós dávamos cursos nas cidades como forma de apoio ao trabalho das comissões formadas. Não éramos muitos. Fui a várias cidades dar esse curso. Minas Gerais tem 186 cidades com mais de 20 mil habitantes. Não posso falar objetivamente como vem funcionando a execução dos planos. Tenho sensações. Pela primeira vez se pensou na cidade. É importante ressaltar a tomada de consciência que houve, e foi de maneira ampla.

quinta-feira, maio 17, 2012

Apenas uma caminhada #1




Estava tão acostumado com aquele caminho até os correios que já havia parado de reparar no que estava ao meu redor. As mesmas árvores, os velhos prédios comuns em toda cidade grande, os mesmos mendigos e a já costumeira correria do ir e vir das pessoas. Nada que ninguém já tenha vivenciado em sua cidade. Mas após aquela tarde aprendi a valorizar mais o espaço que estava ao meu redor.

Como de costume havia saído para comprar alguma coisa para acabar com a ressaca. É certo que já vinha me acostumando com os resultados das bebedeiras causadas pelo uísque barato, um hábito que tomava gosto nos períodos em que me faltava algum trabalho. Não é que sinto orgulho pelo scotch paraguaio, mas meu orgulho não me deixava abandonar antigos vícios: uísque caubói, tabaco, um ou outro entorpecente e uma companhia feminina. Acredito que alguns dos velhos hábitos não devem ser mudados. Jamais!

Sai para aquela caminhada habitual a procura de uma soda gelada e algo barato para comer, somente para conseguir me manter em pé até a próxima bebedeira. Ao passar pela multidão eu a vejo ali, parada a alguns metros e fico momentaneamente parado, hipnotizado pela beleza que via. Era aqueles momentos em que você sabe que precisa tê-la, ainda assim não sabe como se aproximar. Mas o desejo te empurra pra cima...

Os olhares se cruzaram e um breve sorriso é projetado. Um sinal verde sem dúvida. Ensaio uma aproximação, mas o recomeço de uma caminhada e os passos dela aumenta a distância. Por essa eu não esperava. Até que um olhar por cima do ombro em minha direção me convida a prosseguir e a adrenalina causado por aquele momento me inspira confiança.

O jogo continua! Algumas esquinas depois ela entra em um prédio e logo em seguida tomo o mesmo destino. Portaria a dentro consigo ver aquela beleza de perto, ainda mais convidativa. Olhares trocados, algumas palavras pronunciadas e logo estamos na escadaria do prédio em algum lugar entre o primeiro e quinto andar, acho.

As coisas esquentam, os beijos se sucedem e nenhum nome é pronunciado. A informalidade do encontro aumenta ainda mais o tesão e é nesse momento que percebe-se que não se pode mais segurar. Sexo e somente sexo é esperado. Isso é o que pensávamos até aquele clarão. Gritos e algumas peças de roupas de volta ao lugar. Até hoje não sei como a polícia chegou tão rápido ao lugar.

Quando fui perceber a situação a segurança havia aparecido rápido e contatado aquelas pessoas fardadas. Não sei porque o interrogatório foi a mim, somente a mim. Até hoje não sei porque disse aquelas palavras - "a vi na rua, segui até aqui e nos pegamos" - quando sóbrio sempre falo demais.

Algemado e colocado dentro da viatura recebo o beijo de despedida. Como aqueles não perceberam que a mulher estava a fim, houve ali uma despedida. São aqueles fatos que nunca terão uma explicação coerente. Dentro daquele carro a caminho da jaula fui reparando na vizinhança: as mesmas árvores, os velhos prédios comuns em toda cidade grande, os mesmos mendigos e a já costumeira correria do ir e vir das pessoas alienadas ao que acontecia ao seu redor. Já começava a sentir falta daquilo, do scotch e dela, que mulher. Talvez agora finalmente eu aprenda a falar um pouco menos.


Em tempo: crônica levemente inspirada nos escritos do velho Buk. Um brinde! 

domingo, maio 06, 2012

se dê uma chance



As pessoas não nascem com bola de cristal. É um fato! E a gente nunca se lembra disso quando brigamos, com nossos namorados, porque não perceberam que cortamos dois dedos nas pontas do cabelo. A gente também deveria ter isso em mente quando percebe que alguém está se dedicando para ser o cara mais bacana da nossa vida!

Para não deixar que "o meu cara bacana" perca a oportunidade de ver em mim "a sua garota bacana", fiz logo um texto com dicas simples de como eu posso ser confusa e estranha... mas também acessível e divertida!


A verdade é que quando a gente encurta o caminho, baixa a guarda e ajuda os outros a nos conhecerem melhor estamos nos dando a chance de também conhecer pessoas interessantes!


Portanto, aí vai:

- Só porque não pedi a sua opinião não quer dizer que eu não a queira. Agora se eu não quiser, com certeza vou dizer! 


- Um cara se torna muito mais legal quando diminui o tempo das preliminares... todas as preliminares. Ficar dando voltas demais pra chegar onde pretende só me irrita, distrai e desconcentra.


- Eu sou curiosa, vou transformar nossas conversas em interrogatórios (com frequência), portanto me dê respostas satisfatórias. 


- Não entendo de carros, de armas, de mulheres, não sei nomes de jogadores de futebol, provavelmente vou secar seu time se ele não for o Cruzeiro e não assisto corridas de F1. 

- Eu ainda não aprendi como calibrar os pneus e a checar os níveis de óleo e água no motor, insista em me ensinar (mas ironias não serão toleradas!). 


- Minha memória é ruim, não brigue comigo se eu esquecer datas, compromissos, telefones e de repassar recados.

- Se eu estiver espumando de raiva, falando pelos cotovelos, colocando o dedo na sua cara e aumentando meu tom de voz, me interrompa com um beijo. Vai me colocar de volta ao prumo... mas não vai diminuir minha indignação.

- Ame seu trabalho chato e me fale como ele está te fazendo bem. 


- Não deixe as portas dos armários abertas. 


- Odeie coisas que não fazem o menor sentido pra mim. Isso prova que você tem personalidade e opinião própria.


- Me surpreenda. Me faça lembrar que viver perigosamente é divertido. 


- Olhe para outras mulheres e me prove que eu não sou a única... assim vou me esforçar mais para tentar ser.

- Não me trate como ignorante se eu disser que não entendo do que você está falando. 


- Me deixe te fazer cócegas. 


- Me enrole, mas me satisfaça. 


- Ande de mãos dadas comigo na rua. 


- Me dê flores, eu gosto delas!

- Use calças apertadinhas que te deixam gostoso. Mas me dê uma má resposta se eu disser que você não tira do corpo as 341 camisas do seu time por dias seguidos. 


- Eu vou elogiar seu cabelo, seu sorriso, seu corpo, seu perfume e sua gentileza. E sempre será sincero. 

- Me convença a superar meu pavor de altura, mesmo que eu diga que não quero. 


- Me obrigue a assistir filmes de terror com você e tire o controle remoto de perto de mim. 


- Me console, mas não me mime demais... eu me acostumo fácil à vida mansa. 


- Não puxe papo se eu estiver assistindo algo interessante na tv, eu não vou te dar a menor atenção e só vou responder com um monte de "ahan", "é sim", "com certeza" e "claro".

- Eu acordo de mal humor em incontáveis manhãs da minha vida e você pode não escapar ileso... acostume-se. 


- Me faça mudar de opinião, mas me dê alguma razão quando eu falar com convicção. E prove que eu não sei tudo e que muita coisa você ainda pode me ensinar. 


- Me ignore, às vezes, só pra eu pedir carinho e atenção.

- E tenha certeza, mesmo se esquecer tudo isso aqui, ainda assim você vai saber que é o cara mais bacana da minha vida!

segunda-feira, abril 16, 2012

confesso



Não sei se feliz, ou infelizmente, sou uma pessoa intensa. Apesar dos muitos tapas na cara que a vida me deu, não endureci. Perdi, claro, algumas utopias... mas ainda mantenho outras tantas.

Minhas relações amorosas nunca tomaram o rumo que eu planejei, desejei, idealizei ou imaginei. Sempre que paro para pensar nisso, é inevitável lembrar que de todos os que passaram, ninguém ficou... uns deixaram saudades, outros arrependimentos, uns poucos demoraram pra passar. Mas nenhum nunca ficou.

Eu aprendi assim a sofre por outrem. Porque todo novo-futuro-amor com quem me envolvi, veio com algum velho amor de histórias românticas e bonitas. E eu nunca consegui ser melhor do que aquela mulher que esteve ali antes de mim. Nunca tive certeza se as numerosas boas lembranças que essas fantásticas mulheres (que os deixaram ou foram deixadas) compartilharam com esses caras eram uma barreira que eu não fui capaz de transpor ou se eu não fui merecedora da chance de tentar me mostrar melhor.

Também aprendi a não me lamentar por isso. E a me conformar rápido, sem lutar, sem insistir e sem implorar nova chance. Penso que, às vezes, o cara só queria continuar vivendo sua vidinha idealizada. Acho justo, já que há muito tempo eu não idealizo a minha.

Quem sabe se poderia, um dia, dar certo com algum deles? Já estive com homens que ninguém via futuro, que todo mundo achava meu par perfeito, que eu agradeço diariamente por não ter dado certo e que eu tive certeza de que seria feliz uma vida inteira. Um deles ainda me inspira essa certeza de escolha certa... pelo menos da minha parte... mas não posso amar sozinha, querer sozinha, fazer dar certo sozinha.

Ainda acho que tem alguma coisa ali que nunca encontrei antes. Todas as noites eu penso nisso. Ainda passo por momentos de vontade incontrolável de estar com ele. Porque o que sinto não é desejo, nem curiosidade. Ele é a surpresa mais agradável que já tive. Sinto frio na barriga de lembrar os poucos momentos em que estivemos juntos. Acho que porque foi natural. Nada premeditado... foi quase sem querer. Quase como se a gente se pedisse desculpas por aquilo estar acontecendo.

Nunca tive coragem de perguntar o que se passou (e acredito que ainda passe) pela cabeça dele. Na minha tudo foi se transformando num grande sentimento de querer bem, de cuidar, de tomar dores, de participar da vida, de pergunta “como foi o seu dia”. E daí, naturalmente, vieram vontade e desejo. Tudo sempre acompanhado de urgência, de querer aproveitar o pouco tempo, de saudade dos incontáveis dias sem se ver ou se ouvir...

Acho que não tive tempo de explicar pra ele que eu não queria que fosse pra sempre. Ou que fosse certo para nós dois. Eu queria que fosse alguma coisa. Qualquer coisa. Era recíproco demais pra passar em branco. Nosso beijo era surreal demais. Eu queria te dito que estava totalmente encantada. Eu não podia, mas estava encantada. Era gentileza demais, atenção demais, presença (mesmo distante) demais.

Fui um boa conselheira pra ele num fim de namoro traumático. Foi com ele que dividi meu medo mais obscuro. Descobrimos juntos que ficar em casa, sozinho, numa sexta à noite, não cura solidão. Foram as mensagens dele que me fizeram companhia num momento de decisão. Foi com ele que eu conclui que mesmo não tendo um romance, a gente sempre teria uma amizade intensa, honesta e sincera.

Só que quando eu percebi, já estava com borboletas no estômago só pensar em encontras com ele. Me peguei sorrindo vendo fotos. A gente podia nunca ter um futuro, mas tínhamos um presente desejado por ambos. Nunca foi uma relação unilateral.

Mas acho que acabei passando de alguns limites que não determinamos... errei a mão. Acontece... Agora, acho que prefiro ser apenas uma boa amiga e não arriscar quebrar esse elo pra sempre. Ainda torço para ele gostar de mim só um pouquinho. E ter pelo menos cogitado a possibilidade de transformar afinidade em amor.

Para que isso não se transformasse em uma tortura pessoal infinita (porque é cruel não se saber se espera ou se esquece), me apeguei às hipótese do tempo nos permitir reencontros sem culpas. Mesmo que a gente se encontre em outros abraços, o nosso sempre será mais especial. Assim, me acostumo a não querer ele só pra mim.

"Basta eu ver um sinal de luz recíproca no final do túnel que mando minhas zilhões de luzes e cego todo mundo. Sou demais." (Tati Bernardi)

segunda-feira, abril 09, 2012

tudo termina em amor


O papo rolou durante horas a fio. Sentada num buteco, na Lapa, em companhia de duas pessoas muito queridas, fui mordida pelo bichinho da inspiração que tinha me abandonado há um mês.

Dizem por aí que tudo termina ou em sexo, ou em pizza. Particularmente, acho que tudo termina em amor. E com o perdão do trocadilho infame, mesmo quando o amor termina!

Como não poderia deixar de ser, toda essa inspiração veio de uma conversa animada sobre decepções amorosas, escolhas erradas, utopia sentimental, ciúmes, endeusamento da pessoa amada, linhas de raciocínio discrepantes entre o casal, orgulho exagerado, medo de não amar de novo.

Como frequentadora diária de redes sociais, me tornei uma nobre conhecedora de assuntos aleatórios. Entre eles um que, dizem, pode ser a salvação dos males do amor... a sincronicidade!

Você sabe o que? Eu te explico... a teoria foi desenvolvida por Carl Jung, um psiquiatra que acreditava que coincidências são fenômenos psicológicos simultâneos de pensamente. Exemplo: você passa o dia pensando naquele cara. Seu celular apita a chegada de uma mensagem e, SURPRESA!, é ele!!! Muita gente vai pensar assim, "mas foi uma coincidência". Sim! É nas coincidências que o sincronismo habita.

Aí você pensa: "ahhh Tati, que legal... mas não consigo entender onde está a ligação entre sincronicidade e relações amorosas mal sucedidas..."

Então... eu desenvolvi uma teoria sobre isso. A sincronicidade nos conduz pela crença de eventos coincidentes. Mas segundo o dicionário, coincidência é aquilo que acontece ao mesmo tempo ou por repetidas vezes, de uma mesma forma.

Ora, se você se atrai sempre pelo mesmo tipo de pessoa, não seria uma coincidência? E também não seria uma coincidência que em todos os seus relacionamentos você tenha cometido os mesmos erros? Você também diria ser coincidência se identificar com pessoas que passaram pelos mesmo problemas amorosos que você?

Pois é... se há como comprovar a sincronicidade nos relacionamentos que não funcionam, também é possível usá-la para o bem.

Há pessoas que defendem que o sincronismo entre um casal pode ajudá-los a perceber a mágica de uma vida a dois bem resolvida. E eu concordo. Não há nada mais batido do que acreditar que os opostos se atraem. Isso só funciona com imãs. Com gente, funciona justo o contrário. Relacionamentos felizes e duradouros precisam de atos coincidentes e sintonia de pensamentos. E isso só acontece com pessoas que se planejam, agem e buscam coisa iguais.

Portanto, vamos todos nos comprometer e buscar sincronicidade nos nossos próximos pretendentes a amor de uma vida inteira. 

Compreendi, com minhas experiências anteriores, que os relacionamentos pessoais são a coisa mais importante que temos na vida. As pessoas que "amamos" ou "odiamos" são um espelho de nós mesmo. Sonhamos em ter as mesmas boas qualidades dos "amados" e corremos léguas de distância dos defeitos dos nossos "desafetos".

Além disso, ninguém descobre o parceiro(a) que quer ao seu lado para todo sempre (na visão mais utópica e romântica que podemos ter) se não navegar por águas turbulentas. Não dá pra nutrir sentimentos como medo, culpa, hostilidade, possessividade e ciúmes. Mas, infelizmente, é "errando que se aprende".

A ideia de sincronizar com o outro é bem literal. É escolher aquela pessoa que irá buscar o mesmo que você. Seja um beijo sem compromisso, um casamento de 50 anos ou uma noite de sexo... os dois tem que querer e depositar expectativas na mesma coisa.

Aí, é só questão de tempo até perceber os olhares cúmplices, a segurança nas decisões, os dias de silêncio compreendido, a descontração de uma tarde calma, a alegria de uma vida dividida sem sacrifícios e a certeza da escolha acertada.

quarta-feira, março 14, 2012

porra nenhuma!



Eu gostaria de, pelo menos uma vez na vida, ter certeza de que que a minha vida amorosa não será uma repetição ininterrupta do - já desgastado - ditado: "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Porque tudo o que eu tenho feito é me foder (com a aplicação correta da língua e o perdão da má palavra!)

Eu erro quando me apaixono e quando se apaixonam por mim. Eu erro quando corro atrás e também quando deixo a coisa correr por si. E pasmem, eu não consigo acertar até quando estou me esforçando para não errar! Acho até que estou jogando contra mim mesma!

A única coisa de que tenho certeza é que não sou paranoica a ponto de achar que há um complô do tipo: "o mundo contra Tatiana Linhares". Ou será que há? Não! Eu sei que não há!

O pior de tudo é que, nessa brincadeira, haja auto estima alta. E haja amor próprio. E haja palavra pra usar em texto de blog. E haja cerveja gelada. Cadê que eu consigo válvulas de escape suficientes? Já esgotei minhas possibilidades e minha cabeça ainda anda cheia de neuras. E eu nem posso mentir pra mim dizendo que é culpa da TPM!

Poxa! Como a gente consegue ser cruel conosco, né?! Se torturando, se culpando, perdendo o controle, esquecendo de ver o lado bom das coisas.

Era muito mais confortável eu continuar me lamentando e me fazendo de culpada aqui. "Meu coração está partido...", "só escolho o homem errado", "não consigo me recuperar da decepção", "homem não presta", "é muito sofrimento pra uma pessoa só".

PORRA NENHUMA!

É muita frescura pra uma pessoa só! Se não deu certo com esse bando de porcaria que passou na minha vida, eu tenho mais é que dar graças a Deus. Me livrei de um monte de tranqueira. Homens mentirosos, afetados, falsos, frouxos, cansativos, traumatizados, dependentes, preguiçosos... e isso pra falar por alto. Porque se for aprofundar o assunto... só Deus na causa mesmo.

A gente balança mesmo às vezes, porque companheirismo e amor fazem falta pra mim e pra você. Acha mesmo que eu preferia estar aqui escrevendo esse texto ao invés de estar numa cama enorme e confortável, aninhada no peito de um cara incrível, fazendo cafuné em mim e perguntando sobre o meu dia (pra não falar em outras "cositas mas"...)? Lógico que não! Me desculpem, mas que se explodam vocês se eu pudesse e na minha cama coubesse!

Brincadeiras à parte, o importante é esquecer esse péssimo hábito de se lamentar pelo que foi. Se mágoa, rancor e raiva fizessem bem a alguém, não existiriam livros de auto-ajuda. O negócio é apagar o que foi ruim (eu sei que não é fácil, mas convenhamos que é possível) e tocar a vida pra frente.

segunda-feira, março 05, 2012

os dispostos se atraem


Sou uma mulher de referências. Apesar de sustentar com firmeza o que escrevo, gosto de assumir minha total incapacidade de me igualar com pessoa que o fazem com maestria. É pública e notória que uma das minhas formas preferidas de iniciar meus textos é citando mestres no uso das palavras. Não vou fugir dessa regra singela que criei para que todo mundo entenda de primeira sobre o que vou falar nos próximos parágrafos.

O, sempre surpreendente, Fernando Anitelli e seu Teatro Mágico, tem uma música que diz: "Só me resta agora acreditar que esse encontro que se deu não nos traduziu melhor... a conta da saudade, quem é que paga?"

Sabe o que é mais incrível nessa música? Ela descreve com melancolia e tristeza uma relação que foi vivida com a intensidade que merecia. Aqui não cabem sentimentos mornos. Portanto também não cabem arrependimentos. A música explica que só o que se pode suportar é a dor de não ter dado certo. E saudade que fica de tudo o que foi bom, mas que não foi eterno.

Pra mim, isso significa conformidade. E não entenda como algo ruim, porque não é. É a simples sensação de se ter feito todo o possível. Nem sempre há que se apontar um culpado para histórias que não acontecem como gostaríamos. Há que se conformar com o fim. O que deve restar, no final de tudo, são os bons momentos que construíram lembranças que valham a saudade de outrem.

Você sabe que isso acontece na sua vida constantemente, né?!

Aquela música que marcou o seu primeiro beijo. Os livros com dedicatórias que estão esquecidos na sua prateleira mais alta. Aquela agenda de escola que você guardou no fundo da gaveta. Os cd's que ganhou de presente de aniversário, há muito abandonados num canto do armário. Cartas que escreveu e nunca mandou. Comentários cheios de entrelinhas nas redes sociais. Fotos escondidas entre outras fotos nos álbuns que você nem sabe onde estão. Textos em blogs de amigos que parecem ser escritos para você.

Todas essas recordações estão ali, sempre perto, sempre presentes, sempre guardadas com carinho... sempre esperando o momento certo de serem usadas. Talvez você só precise de alguém para te mostrar que nem tudo o que não deu certo, vale à pena ser esquecido.

Todo mundo merece ser lembrado - e amado - pelas coisas boas que fez pelo outro. Por momentos que realmente tenham sido apaixonantes. Eu sei, nem tudo que é inesquecível é bom. Mas porque se apegar ao foi ruim, quando sabemos que quase nunca é o que se destaca.

As pessoas que conheço, que passaram por relacionamentos extremamente conflituosos, começam falando em mágoa, rancor, amor que acaba... mas terminam falando em bons momentos, risos soltos e amor correspondido. Sabe o que isso significa? Esperança. Esperança honesta e cristalina de poder passar por tudo isso de novo... mas que dessa vez seja eterno.

E no final das contas não é para isso que todos vivemos? Para que a esperança de novos amores nos mantenham vivos, mas nunca céticos. O mesmo Fernando Anitelli também diz, com convicção, que "todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar".